Liberdade Responsável do Professor e a Margem do Rio.
- Graciela Franco
- 10 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Por Graciela Franco

Em nossas escolas inspiradas na ciência antroposófica, muitas vezes nos deparamos com a tensão entre a liberdade criativa do professor e a necessidade de manter um propósito comum que sustente a vida e a essência da instituição. Podemos imaginar essa dinâmica como a relação entre um rio e suas margens: a água precisa fluir livremente, mas sem limites, ela se espalha, se perde, e sua força vital se dilui.
A liberdade do professor — o que podemos chamar de “impulso do rio” — é indispensável. É nela que nascem iniciativas inovadoras, experiências significativas e o contato profundo com a realidade das crianças. Steiner nos convida justamente a confiar nesse discernimento do educador, a permitir que ele siga seus impulsos, respeitando sua individualidade e a singularidade de cada grupo de crianças.
Porém, essa liberdade precisa ser responsável. Responsável, aqui, significa que ela não pode se desenvolver isoladamente, em detrimento do propósito maior da escola. Cada ação pedagógica, cada decisão do professor deve dialogar com os valores, princípios e intenções da instituição. Quando a liberdade não encontra essa orientação, corre-se o risco de perder a coesão, diluir a identidade e dispersar a força vital que desejamos cultivar.
É nesse ponto que entra a “margem do rio”. Um currículo institucional, elaborado com consciência, funciona como essa margem: ele não engessa, não dita cada passo do educador, mas oferece direção, sustenta a intenção pedagógica e garante que o fluxo da vida se mantenha vivo e coerente. Essa margem é firme o suficiente para preservar a essência da escola, mas flexível para permitir que cada professor encontre sua voz e cada criança seu caminho.
Em outras palavras, a liberdade responsável nasce do equilíbrio entre o impulso individual e a estrutura coletiva. O educador é livre para criar e inovar, mas dentro de limites que garantam que a instituição permaneça fiel à sua missão. Essa liberdade não é um fim em si mesma, mas um meio para que a vida, em sua plenitude, possa se manifestar dentro da escola.
Ao pensarmos a escola dessa forma, percebemos que não se trata de impor regras ou engessar a criatividade, mas de construir condições para que a força vital flua com propósito e sentido. Cada escola, então, precisa cultivar sua própria margem, seu próprio espaço estruturado de liberdade, para que o rio continue correndo, vivo, sem se perder.
E, assim, a vida pedagógica se torna uma dança entre direção e impulso, entre responsabilidade e criação — um equilíbrio delicado que sustenta a verdadeira essência da educação: a vida que se renova e se fortalece a cada dia.





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