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Vontade: Raiz Oculta do Ser Humano



A educação da vontade é um dos pontos mais centrais do desenvolvimento da humanidade, embora muitas vezes seja menos falado que o “pensar” ou o “sentir”.

O ser humano é formado por três grandes forças ou dimensões: pensar, sentir e querer (vontade). Cada uma se desenvolve de forma distinta nas fases da vida, mas a vontade é a base mais profunda e também a mais difícil de acessar conscientemente.

O que é vontade?


  • A vontade não é apenas “força de fazer”, mas um impulso vital que permeia os gestos, hábitos, ações e mesmo a coragem de se lançar no mundo.

  • Diferente do pensar (mais claro e consciente) e do sentir (vivido na alma como emoções e valores), a vontade atua em uma camada quase subterrânea da vida  — muitas vezes só percebida nos resultados de nossas ações.

  • Ela está profundamente ligada ao corpo, aos ritmos da vida (sono, alimentação, movimento) e as “forças de crescimento e vitalidade”.


Educação da vontade na primeira infância


Os primeiros sete anos (0–7) são dedicados sobretudo à educação da vontade:

  • Imitação: a criança pequena aprende pelo exemplo vivo, não por explicações. Ver o adulto agir com sentido ritmo e cuidado e desenvolver a capacidade imitativa desperta nela forças de vontade sadias.

  • Ambiente: tudo que é belo, verdadeiro e bom no entorno age formativamente na vontade. Objetos naturais, ritmos saudáveis, harmonia, gestos amorosos e tarefas práticas contribuem.

  • Ação prática: mexer com a terra, cozinhar, brincar livremente, desenhar, cantar — atividades que envolvem corpo, ritmo e repetição — são formas de educar a vontade sem intelectualizá-la.


Educação da vontade em fases posteriores


  • Na segunda infância (7–14 anos): a vontade é guiada por imagens, narrativas e pelo vínculo afetivo com o professor. O sentir se torna a via pela qual a vontade continua a se nutrir.

  • Na adolescência (14–21 anos): a vontade começa a se relacionar mais diretamente com o pensar consciente. Surge a possibilidade da autodeterminação, da escolha moral e da capacidade de direcionar a vida por ideais.


Por que isso é importante hoje?


A cultura moderna tendeu a hipertrofiar o intelecto e enfraquecer a vontade, gerando pessoas brilhantes em ideias, mas frágeis em perseverança, coragem e capacidade de realizar. A educação da vontade é, assim, uma resposta a essa unilateralidade, pois desperta:
  • Força interior para superar dificuldades.

  • Capacidade de ação em benefício do outro e do mundo.

  • Liberdade verdadeira, que só é possível quando o querer é guiado pelo pensar vivo e pelo sentir pleno.


Com tudo isso, os Educadores precisam cultivar em si próprios essa relação viva com a vontade — com disciplina, amor, práticas artísticas e autocuidado —, porque a criança aprende mais pelo que o adulto é do que pelo que ele diz.

 
 
 

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