Vontade: Raiz Oculta do Ser Humano
- Graciela Franco
- 21 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

A educação da vontade é um dos pontos mais centrais do desenvolvimento da humanidade, embora muitas vezes seja menos falado que o “pensar” ou o “sentir”.
O ser humano é formado por três grandes forças ou dimensões: pensar, sentir e querer (vontade). Cada uma se desenvolve de forma distinta nas fases da vida, mas a vontade é a base mais profunda e também a mais difícil de acessar conscientemente.
O que é vontade?
A vontade não é apenas “força de fazer”, mas um impulso vital que permeia os gestos, hábitos, ações e mesmo a coragem de se lançar no mundo.
Diferente do pensar (mais claro e consciente) e do sentir (vivido na alma como emoções e valores), a vontade atua em uma camada quase subterrânea da vida — muitas vezes só percebida nos resultados de nossas ações.
Ela está profundamente ligada ao corpo, aos ritmos da vida (sono, alimentação, movimento) e as “forças de crescimento e vitalidade”.
Educação da vontade na primeira infância
Os primeiros sete anos (0–7) são dedicados sobretudo à educação da vontade:
Imitação: a criança pequena aprende pelo exemplo vivo, não por explicações. Ver o adulto agir com sentido ritmo e cuidado e desenvolver a capacidade imitativa desperta nela forças de vontade sadias.
Ambiente: tudo que é belo, verdadeiro e bom no entorno age formativamente na vontade. Objetos naturais, ritmos saudáveis, harmonia, gestos amorosos e tarefas práticas contribuem.
Ação prática: mexer com a terra, cozinhar, brincar livremente, desenhar, cantar — atividades que envolvem corpo, ritmo e repetição — são formas de educar a vontade sem intelectualizá-la.
Educação da vontade em fases posteriores
Na segunda infância (7–14 anos): a vontade é guiada por imagens, narrativas e pelo vínculo afetivo com o professor. O sentir se torna a via pela qual a vontade continua a se nutrir.
Na adolescência (14–21 anos): a vontade começa a se relacionar mais diretamente com o pensar consciente. Surge a possibilidade da autodeterminação, da escolha moral e da capacidade de direcionar a vida por ideais.
Por que isso é importante hoje?
A cultura moderna tendeu a hipertrofiar o intelecto e enfraquecer a vontade, gerando pessoas brilhantes em ideias, mas frágeis em perseverança, coragem e capacidade de realizar. A educação da vontade é, assim, uma resposta a essa unilateralidade, pois desperta:
Força interior para superar dificuldades.
Capacidade de ação em benefício do outro e do mundo.
Liberdade verdadeira, que só é possível quando o querer é guiado pelo pensar vivo e pelo sentir pleno.
Com tudo isso, os Educadores precisam cultivar em si próprios essa relação viva com a vontade — com disciplina, amor, práticas artísticas e autocuidado —, porque a criança aprende mais pelo que o adulto é do que pelo que ele diz.





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