Compreender para um caminho regenerativo
- Graciela Franco
- 4 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 2 horas
Compreender é o primeiro passo do processo regenerativo.
Antes de criar condições para a transformação, é necessário compreender a forma atual da vida. Não para corrigi-la imediatamente, nem para julgá-la, mas para escutá-la.
O processo regenerativo se organiza em três movimentos: compreender, criar condições e regenerar. E o próprio compreender também possui três etapas: observar, escutar o fenômeno e realizar uma leitura regenerativa.
O primeiro movimento é observar.
Observar exige suspender julgamentos, preferências, teorias e interpretações prévias. Trata-se de abrir espaço para que o fenômeno possa se revelar por si mesmo.
Nesse momento, algumas perguntas orientam a observação:
Quais forças estão presentes?
Quais polaridades estão atuando?
Qual é a intensidade dessas forças?
Há movimento entre elas?
Há rigidez?
Há fluxo?
A observação busca compreender as forças que atuam em determinado fenômeno social. Para isso, observa as polaridades presentes, a intensidade com que cada força se manifesta e a existência, ou não, de movimentos de equilíbrio entre elas. Não se trata de determinar qual polo está certo ou errado, mas de perceber como essas forças se relacionam, onde existe rigidez, onde existe fluxo e como a vida busca, ou deixa de buscar, formas mais harmônicas de organização.
O segundo movimento é a escuta do fenômeno.
Ao suspender julgamentos, torna-se possível escutar aquilo que a própria realidade está revelando.
O fenômeno começa então a indicar onde o fluxo da vida encontra bloqueios e onde busca novas possibilidades de equilíbrio.
As perguntas que orientam esse momento são:
O que o fenômeno está revelando?
O que a vida está pedindo aqui?
A escuta não procura confirmar ideias prévias. Procura permitir que a própria realidade apresente suas necessidades e possibilidades.
O terceiro movimento é a leitura regenerativa.
Nesse momento, retorna-se ao conceito. Mas não a um conceito abstrato ou ideológico. Retorna-se a uma imagem de harmonia.
A harmonia não depende de uniformidade. Assim como uma obra de arte pode conter contrastes, tensões, linhas distintas e múltiplas formas, também a vida pode manifestar equilíbrio sem eliminar diferenças.
Essa leitura observa três dimensões fundamentais.
A primeira é a dimensão cultural e individual.
Existe liberdade para pensar de forma diferente?
Existe espaço para a singularidade?
Existe respeito à diversidade humana?
A segunda é a dimensão social.
Existe justiça nas relações?
Existe escuta?
Existe participação?
Existe dignidade?
A terceira é a dimensão material, econômica e ecológica.
Existe cooperação?
Existe responsabilidade?
Existe cuidado com a vida?
Existe reciprocidade?
A partir dessa leitura, torna-se possível perceber onde o fluxo está interrompido e onde existe a necessidade de criar condições para processos regenerativos.
Compreender não significa ainda transformar.
Compreender significa desenvolver uma percepção suficientemente sensível para reconhecer o que a vida está buscando realizar antes de decidir como colaborar com ela.

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